Quem começa no violão geralmente abre uma cifra, vê seis ou sete acordes diferentes e trava na primeira troca. O problema quase nunca é falta de talento: é tentar aprender tudo ao mesmo tempo e na ordem errada. Com oito acordes abertos — G, C, D, Em, Am, E, A e Dm — você já consegue acompanhar uma boa parte dos louvores cantados nas igrejas, desde que aprenda a montar cada um com firmeza e, principalmente, a trocar entre eles sem parar o ritmo.
Antes de qualquer coisa, afine o violão. Um acorde bem montado num violão desafinado soa errado e desanima. Use o afinador online ou veja o passo a passo em como afinar o violão.
Como ler as posições abaixo
As cordas são numeradas de baixo para cima no sentido do som: a corda 6 é o Mi grave (a mais grossa) e a corda 1 é o Mi agudo (a mais fina). Os dedos da mão esquerda são: 1 indicador, 2 médio, 3 anelar, 4 mínimo. "Casa 2" é o espaço entre o primeiro e o segundo traste.
Na notação entre parênteses, cada número representa uma corda, da 6 para a 1: "x" significa não tocar aquela corda e "0" significa corda solta.
Os oito acordes, um por um
Em (Mi menor) — 0 2 2 0 0 0
É o acorde mais fácil do violão. Dedo 2 na corda 5, casa 2; dedo 3 na corda 4, casa 2. Toque as seis cordas. Comece por ele para acostumar a ponta dos dedos a pressionar logo atrás do traste, e não no meio da casa.
Am (Lá menor) — x 0 2 2 1 0
Dedo 1 na corda 2, casa 1; dedo 2 na corda 4, casa 2; dedo 3 na corda 3, casa 2. Não toque a corda 6. Repare que o desenho é o mesmo do Em, só que deslocado uma corda para baixo — por isso aprendê-los juntos acelera muito.
E (Mi maior) — 0 2 2 1 0 0
Igual ao Em, mas com o dedo 1 na corda 3, casa 1. Toque as seis cordas. Trocar Em para E é só colocar e tirar um dedo.
A (Lá maior) — x 0 2 2 2 0
Dedos 1, 2 e 3 lado a lado na casa 2, nas cordas 4, 3 e 2. Não toque a corda 6. Se os dedos não couberem, incline levemente o pulso e deixe o dedo 3 mais perto do traste. A corda 1 precisa soar: se estiver abafada, o dedo 3 está deitado demais.
D (Ré maior) — x x 0 2 3 2
Dedo 1 na corda 3, casa 2; dedo 3 na corda 2, casa 3; dedo 2 na corda 1, casa 2. Toque só as quatro cordas mais finas. O erro mais comum é bater na corda 6, que deixa o acorde "embolado".
Dm (Ré menor) — x x 0 2 3 1
Dedo 2 na corda 3, casa 2; dedo 3 na corda 2, casa 3; dedo 1 na corda 1, casa 1. Também só as quatro cordas finas. Compare com o D: o desenho é parecido, mas a corda 1 desce uma casa.
C (Dó maior) — x 3 2 0 1 0
Dedo 3 na corda 5, casa 3; dedo 2 na corda 4, casa 2; dedo 1 na corda 2, casa 1. Não toque a corda 6. Mantenha os dedos bem arqueados para a corda 3 (solta) soar limpa.
G (Sol maior) — 3 2 0 0 0 3
Dedo 2 na corda 6, casa 3; dedo 1 na corda 5, casa 2; dedo 3 na corda 1, casa 3. Existe a versão 3 2 0 0 3 3 (dedo 3 na corda 2 e dedo 4 na corda 1), que soa mais cheia e deixa a troca G → C mais rápida, porque os dedos 1 e 2 apenas "descem" uma corda. Vale a pena aprender as duas.
Em que ordem estudar
Aprender os acordes em blocos que compartilham o mesmo desenho reduz o esforço. Esta é a sequência que costuma funcionar melhor:
| Etapa | Acordes | Por que nessa ordem |
|---|---|---|
| 1 | Em, Am | Mesmo formato, só muda de corda |
| 2 | E, A | E é Em + um dedo; A treina três dedos juntos |
| 3 | D, Dm | Mesmo "triângulo" nas cordas finas |
| 4 | G, C | Exigem mais abertura de mão; ficam por último |
Não passe para a etapa seguinte enquanto não conseguir montar os acordes da etapa atual sem olhar e com todas as cordas soando. Para checar, toque corda por corda, devagar: se alguma sair abafada, ajuste o dedo vizinho.
As trocas que mais aparecem no louvor
Grande parte do repertório congregacional gira em torno de quatro acordes de um mesmo tom, que em graus são I – V – vi – IV. Nos tons mais fáceis para o violão, isso dá:
| Tom | I | V | vi | IV |
|---|---|---|---|---|
| G | G | D | Em | C |
| C | C | G | Am | F |
| D | D | A | Bm | G |
| A | A | E | F#m | D |
| E | E | B | C#m | A |
Repare que em G todos os quatro são acordes abertos desta lista. Em C aparece o F, que pede pestana (veja como fazer pestana), e em D aparece o Bm. Por isso, o tom de G (e o de Em, que usa os mesmos acordes) é o melhor ponto de partida. Para entender de onde vêm esses graus, leia campo harmônico maior.
As trocas que você deve treinar até ficarem automáticas:
- G ↔ D: o dedo 3 pode servir de "pivô" se você usar o G com dedo 3 na corda 2 — ele fica na casa 3 da corda 2 nos dois acordes.
- Em ↔ C: os dedos 2 e 3 do Em sobem juntos uma corda e o dedo 1 entra na corda 2.
- C ↔ Am: dedos 1 e 2 não saem do lugar; só o dedo 3 muda da corda 5 para a corda 3.
- D ↔ A: o movimento é pequeno, todos os dedos ficam perto da casa 2.
- E ↔ A: muito comum em músicas em Mi e em Lá; os dedos 2 e 3 descem uma corda.
- Am ↔ Dm e Am ↔ E: aparecem em músicas em tom menor.
Músicas do catálogo para colocar em prática
Depois de dominar os acordes, toque músicas reais. Estas usam apenas acordes da lista acima:
- Consagrado ao Senhor (Harpa Cristã) — tom de D, só com D, A e G.
- Porque Dele por Ele (Diante do Trono) — tom de Em, com Em, C, D e G.
- 500 Graus (Cassiane) — os mesmos quatro acordes: Em, D, C e G.
- Único (Fernandinho) — Em, G, C, D e Am.
- Porque Ele Vive (Harpa Cristã) — em Em, com A, A7, D e E7; ótima para treinar acordes com sétima, que são variações simples de A e E.
Se tiver dificuldade em entender onde trocar o acorde dentro da letra, leia como ler cifra. E quando quiser mais opções, veja a lista de louvores fáceis para iniciantes.
Erros que atrasam o iniciante
- Apertar com força demais. A pressão necessária é bem menor do que parece. Encoste o dedo perto do traste e aperte só até a nota parar de "zumbir".
- Polegar por cima do braço o tempo todo. Nos acordes abertos o polegar pode ficar mais alto, mas apoiado atrás do braço na altura do dedo 2 ele dá mais força com menos esforço.
- Montar o acorde dedo por dedo. O objetivo é que todos os dedos caiam ao mesmo tempo. Treine "fotografar" o formato: tire a mão do braço, feche os olhos e tente colocar o acorde inteiro de uma vez.
- Parar o ritmo para trocar. No culto a banda não espera. É melhor tocar uma batida simples e trocar no tempo do que fazer uma batida bonita e atrasar.
Plano de estudo de 7 dias
Reserve de 15 a 20 minutos por dia. Use o metrônomo para controlar a velocidade — se precisar, veja como estudar com metrônomo.
| Dia | Conteúdo | Exercício |
|---|---|---|
| 1 | Em e Am | Monte cada acorde 20 vezes, tirando a mão entre uma e outra. Depois troque Em ↔ Am, uma batida para baixo a cada 4 cliques, a 60 BPM. |
| 2 | E e A | Mesmo exercício. Depois o ciclo Am → E → Am → E, 4 tempos cada, a 60 BPM. |
| 3 | D e Dm | Monte cada um 20 vezes conferindo corda por corda. Troque D ↔ A e Dm ↔ Am a 60 BPM. |
| 4 | G e C | Monte cada um 20 vezes. Troque G ↔ C e C ↔ Am a 60 BPM. |
| 5 | Ciclo em G | G → D → Em → C, 4 tempos cada, a 60 BPM. Quando sair limpo três vezes seguidas, suba para 70 BPM. |
| 6 | Ciclo em Em | Em → C → D → G, agora com 2 tempos por acorde, a 60 BPM. Toque Porque Dele por Ele do começo ao fim. |
| 7 | Música inteira | Escolha uma das músicas da lista acima e toque-a inteira sem parar, mesmo que alguma troca saia imperfeita. Grave no celular e ouça. |
No fim da semana, o objetivo não é velocidade, e sim conseguir trocar entre qualquer par desses oito acordes em até um tempo do metrônomo a 60 BPM. Com isso, o próximo passo natural é aprender as batidas de violão para louvor.